Exaustão Materna

Exaustão Materna

Esses dias conversando com uma amiga querida, que é mãe de dois meninos ainda bem pequenos, comecei a pensar… é realmente inacreditável a quantidade de coisas que não sabemos antes de nos tornarmos mães.

Quando eu tive meu primeiro filho, ninguém que eu conhecia tinha filhos, nem no meu grupo de amigas, nem na minha família. Ou seja,  estreei a maternidade com todas as letras e surpresas! Uma estréia em um mundo novo e desconhecido. Eu não tinha a mais vaga idéia de como ter filhos mudaria a minha vida.

Para começar, ninguém me falou que eu passaria quase 1 mês sangrando depois de ter o meu bebê (até hoje não consigo acreditar nisso), do cansaço que me causaria ficar madrugadas sem dormir, ou que eu mal poderia me olhar no espelho e escovar os dentes. Ninguém me falou também que, apesar de amar meu filho mais do que tudo na vida, eu sentiria uma saudade imensa da minha liberdade e da tranquilidade da vida que eu tinha.

Sobre a conversa com a Karina, é realmente inexplicável o cansaço que sentimos ao cuidar de um bebê. No início quando o bebê é pequeno, passamos as madrugadas alimentando-os, trocando fraldas, escutando muito choro e querendo ajudar e confortá-lo, muitas vezes sem sucesso (pior sensação que pode existir para uma mãe…). Depois, chega a fase que começam a engatinhar e andar, onde tudo, absolutamente tudo, ao redor torna-se perigoso… Anos mais tarde quando entram na escola, passam a ficar doentes com mais freqüência, acabamos voltando a exercer a maternidade nas madrugadas a dentro. Crescem mais um pouco e com uns 3/4 anos nos enfrentam toda hora, fazem altos escândalos. Aos 6/7 anos (que é só até onde sei), continuam teimando e testam limites o tempo todo.

Um detalhe importante sobre a exaustão é dividirmos a carga com o pai dos nossos filhos. Ele devem fazer a parte deles. Se a carga for dividida as mães ficarão menos exaustas e mais felizes.

Naquele momento quando a minha amiga começou a falar do seu cansaço, queria colocá-la no colo e consolá-la, porque entendo plenamente sua sensação, afinal já passei por todos esses períodos. Ai ela me perguntou: ”Esse meu cansaço vai melhorar?” E eu tive que falar a verdade: “ Ka, o cansaço muda de físico para mental, porque depois a arte de educar passa a ser muito mais presente do que a arte de cuidar”. E isso me deu um clique de como a natureza é sábia, (apesar daquela questão de sangrar 30 dias após ter filhos que eu não perdoo, rsrs) quando estamos na exaustão do físico no cuidado com os filhos, eles começam a nos exigir mais esforço da nossa mente do que do nosso corpo.

Criamos nossos filhos com as nossas maiores e mais poderosas forças. Forças que nem sabíamos que existiam, e isso realmente desgasta, fazendo chegarmos a exaustão. Mas a verdade é que mães que não chegam nesse ponto não vivem a maternidade real, a única capaz de criar crianças “reais” que vêem as mães sorrirem de alegria, e chorarem de cansaço.

A maternidade é, além de cuidar e educar um filho, um processo de amadurecimento e aprendizado para as mães. Hoje sinto-me infinitamente mais forte e sábia do que antes de ter o Matheus e o Thomás, com a certeza de que quando eles saírem de casa para o mundo, vou chorar mas, lá no fundo, encontrarei felicidade na certeza de que exerci esse árduo e maravilhoso papel de mãe, com todas as forças que encontrei no meu coração, no meu corpo, na minha mente e alma.

E é esse o meu ponto somos mães e nos dedicamos imensamente. Nenhum esforço será em vão! As madrugadas realmente esgotam a gente, mas o novo dia nos reconforta trazendo novas forças e boas energias para seguirmos em frente. Afinal, se o cansaço não ficasse para trás e fosse maior do que tantas alegrias que a maternidade nos oferece, com certeza o mundo seria muito menos povoado rs.

Ninguém avisa como vai ser difícil. Mas será que adiantaria?

Um Salve as mães reais! E o cansaço? A… o cansaço faz parte!

(Visited 14.345 times, 1 visits today)
Thaís Vilarinho

Mãe de dois meninos lindos Matheus e Thomás, Fonoaudióloga Clínica. Pratico corrida e Muay Thai. Adoro escrever, viajar, escutar música, ver um bom filme, sair e estar com a família e os amigos. Sou curiosa, adoro conhecer e aprender coisas novas.

Share This Post

21 Comentários

  1. Luana - 19 de agosto de 2014

    Que lindo texto, tha!!! Pelas verdades, pela emoção, e pq sei que foi escrito com seu coração!! Sorte minha ter uma amiga estreante na maternidade tão especial, uma MÃE em todos sentidos… vc me inspirou muito, sabe disso!! Bjs.

    • Thaís Vilarinho
      Thaís Vilarinho - 19 de agosto de 2014

      Lu, Tb sinto uma falta gigante de tê-la por perto minha amiga arretada que admiro e que agora vejo na função materna sempre doce com o seu pequeno! Te Amo saudades masterrrrrr!!! Vem me ver!!! Tha

  2. Marcinha - 19 de agosto de 2014

    Muito verdade, Tha!
    Para mim, a exaustão esta muito associada as noites sem dormir. De dia, tudo se resolve. A noite… São “outros quinhentos..”
    E tchanchanchanchan!!! Pedro, com 4 anos conpletos recentemente, esta na fase “pesadelos”. Tem medo até de dormir pq não quer ter os pesadelos… E lá se vão minhas noites de sono tranquilo…

  3. Ana Laura Villagelin - 19 de agosto de 2014

    Tha, falou tudo amiga! Estou na fase do cansaço mental amiga, estou achando mais complicado do que o físico se vc quer saber! A gente tem que resolver tudo ao mesmo tempo, levar, buscar, dar banho, comida, fazer lição, separar as brigas, ajudar fazer as pazes, o dia todo tudo na nossa cabeça! Bjs e parabéns pelo texto, temos filhos da mesma idade e é isso mesmo que acontece! Bjs pra todos aí!!!

  4. Karina MIranda - 20 de agosto de 2014

    Tha, amei o texto e é isso mesmo. Um cansaço extremo, mas que nos dá uma plenitude, um preenchimento, um sentido sem fim…é delicioso! E quanto mais nos damos e nos doamos aos pequenos, mais queremos dar e esta equação parece nunca fechar quando retornamos ao trabalho. Nesta etapa sentimos todo o tempo em dívida…mas a balança começa a se equilibrar quando eles vão ganhando mais autonomia, deixando de serem bebês e passando a serem moleques. Aí sim aquela história da qualidade do tempo em detrimento à quantidade já faz total sentido… Também amo você e queria dividir mais de pertinho a maternidade…
    Obrigada de coração!!!

  5. Helo - 20 de agosto de 2014

    Oi Thaís ,
    Lendo isso, só me vem a cabeça , que nunca mais descansaremos!! Cada fase exigirá um trabalho diferente . Tenho 3 . Cada um do seu jeito! E muito bom!! Teria mais 2 com certeza! Mas o mundo não permite isso!
    Eles crescem, o cansaço é totalmente mental. Mas e assim, e que tenhamos saúde , para estar sempre com eles. Bjs

  6. Zilda Drummond Loureiro - 20 de agosto de 2014

    Tha, quanta verdade!!!! Realmente uma fase difícil este começo mas com certeza todas as fases são de muita luta, seja física ou mental… Adorei o texto. Bjs.

  7. Mila - 20 de abril de 2016

    Estou passando por esse momento agora e fiquei confortada ao ler ele, realmente a gente pensa que nunca vai passar, to cansada e exaurida, tenho muitas dúvidas e seu texto me confortou, parabéns! =)

  8. Eduarda - 17 de agosto de 2016

    Trabalho durante uma parte da noite das 19h as 00:30 (tem dias que vai ate mais tarde)
    Me sinto muito cansada pois meu esposo trabalha durante o dia , tem dias que eu só quero ir pra um lugar silencioso , mas não da. Mas por outros daria tudo pra poder ficar em casa com minha princesa, hoje mesmo ela me disse fica mãe:(
    Mae de uma menina de 3 anos , muito esperta que captura tudo em sua volta.
    Boa sorte pra nós mães !

  9. Eduarda - 17 de agosto de 2016

    Me vi muito nesse teu texto (história) mãe é padecer no Paraíso!

  10. Erika - 18 de agosto de 2016

    Olá! Adorei o texto! Minha bebê está para completar 2 meses e achei no primeiro mês que eu ia pirar! Realmente as pessoas não te contam como a maternidade realmente é. Amo mais que tudo minha filha e não sei mais viver sem ela mas ainda estou me adaptando a tudo e não tenho medo de dizer que é difícil sim.
    E de vdd, não estou me importando com o que o povo pensa, faço o que acho que tenho que fazer, como por exemplo, pra dormir coloco ela na minha cama e dou de mamar. Agora todo mundo dorme em casa e estamos menos estressados. E não julgo mãe nenhuma e só dou minha opinião se me pedirem pq as palpiteiras não se cansam.

    Bjus

  11. Paula - 19 de agosto de 2016

    Um ótimo texto, parabéns! Eu tenho uma menina de 13 anos, outra de 3 anos e agora um menino com 3 meses, mal consigo me olhar no espelho, estou exausta e não me sinto culpada ou menos mãe por isso, é muito difícil mesmo passar noites sem um sono continuo, tomar um banho demorado, comer sem pressa, ir ao salão fazer as unhas sem se preocupar com a hora, mais basta um sorriso de nossos filhos ou um ” eu te amo mãe ” que nem lembramos de mais nada.

Escreva um comentário