Mico, aliás, King Kong materno

Mico, aliás, King Kong materno

“Estava lembrando de uma história, aliás de um perrengue, quer dizer um mico, não mico é pouco. Melhor dizendo um gorila, não, ainda não é o suficiente para descrever. Um King Kong. Sim, essa é a palavra correta. Um grande King Kong que eu paguei com meus filhos voltando da Disney. Vamos combinar que voltar da Disney quando se tem filhos já é, por si só, um super mico. É tanta tralha desnecessária que a gente compra e tem que carregar por conta das crianças não é?

Me lembro que passei mais de 2 horas arrumando as malas para voltar. Durante a nossa viagem o Matheus pediu, suplicou e implorou por nada mais nada menos do que a vassoura, sim eu disse vassoura e de tamanho normal, do Harry Potter.

Meu pai muito sensato que é disse: – Você tem certeza que vai comprar essa vassoura para ele? Já pensou na volta?

Até hoje quando olho para ela penso: o que eu tinha na cabeça para deixar ele comprar esse vassoura? Só pode ter sido para ver a carinha de felicidade que ele fez e eu registrei nessa foto. Enfim, a bendita vassoura, obviamente, não cabia em mala nenhuma e adivinhem, foi na mão! Deu tanto trabalho para fazer aquelas malas, que quando a vassoura sobrou, eu quase mandei ele fazer igual ao Harry Potter e voltar voando com ela para o Brasil.

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Matheus e a alegria com sua vassoura do Harry Potter

Mas se todo o problema fosse a vassoura estava tranquilo.O perrengue foi bem maior que isso, meu pequeno tinha acabado de fazer 1 aninho, bebê de tudo. Entramos no avião, nos acomodamos nas poltronas e o piloto anunciou que íamos sair. Motores ligados. Foi quando o intestino do Thomás, que ainda não tinha funcionado naquele dia, resolver ligar também. Ele fez um cocô que eu não consigo entender até hoje o que foi aquilo. Teve muito mais a ver com uma bomba atômica do que com um simples cocô de bebê. Passou pelas costas e chegou até o pescoço. Podem imaginar o cheiro? Sim, empestou o avião, e detalhe: estávamos na classe executiva. Até hoje acho que aquelas pessoas não tinham a compaixão que eu encontraria na classe econômica. No mínimo devem fazer cocô cheirando flores do campo e com certeza não deviam ter filhos. Eles me olhavam torto como se eu quisesse que meu filho tivesse feito aquele cocô dentro do avião. E o pior, a aeromoça não me deixava levantar já que estava tudo pronto para a decolagem, só que não. O Thomás reclamava, meus pais e o Rodrigo tentavam ajudar, mas chegou uma hora que a real era: quem Thomás pariu que de conta da merda que ele fez. Quem é mãe vai entender, a gente sente no olhar dos outros que nessas horas “King Kong” o problema é todinho nosso.

Eu não aguentava mais o cheiro do cocô e o avião, pasmem, demorou mais de uma hora para andar.

Na hora que o avião decolou, subiu e eu pude enfim tirar o cinto, as pessoas quase aplaudiram mas continuavam me olhando  e virando os olhos! Fui desesperada ao banheiro em uma missão quase impossível: trocar a fralda, e a roupa dele.

Minha mãe se ofereceu para ajudar, mas ela não cabia dentro do micro banheiro comigo e com o Thomás. A cena era cômica: aquele cheiro insuportável, cocô para todos os lados, inclusive no cabelo e no pescoço dele e eu não sabia nem por onde começar. Tentei usar água e sabonete mas não deu muito certo, eu tinha que ficar segurando a porcaria da torneira para ela poder funcionar. Eu não dava conta de segurar ele, molhar o bumbum e segurar a torneira.

Minha mãe batia na porta de cinco em cinco minutos perguntando se estava tudo bem. Acho que com medo que eu e ele morrêssemos asfixiados com aquele cheiro horrível. E eu tinha que responder com tudo o que eu já estava fazendo ali dentro: sim mãe, está tudo ótimo. Foram usados 28, eu contei. Sim, 28 lencinhos umidecidos, mais água e sabonete para dar conta da bomba atômica. Depois de 30 minutos conclui e sentei na poltrona. Eu estava tão suada que parecia ter feito uma aula de spinning, seguida de uma aula de Power Yoga. Mas a história não terminou, porque se fosse até aí a palavra “Gorila” dava conta do recado.

Eu posso jurar para vocês que 10 minutos depois que eu sentei ele fez cocô de novo, só que dessa vez líquido total.

A conclusão dessa história: 5 cocôs bombásticos, uma mãe sem lencinhos umidecidos e sem mais nenhuma muda de roupa para o filho, Thomás quase desidratado de tanto fazer cocô e o pessoal, fino, da classe executiva querendo jogar eu e ele pela janela do avião. Preciso confessar que após tantos cocôs e depois que o Thomás pegou no sono, tive uma crise de riso lembrando dos olhos virados e suspiros insatisfeitos dos meus vizinhos de poltrona.

A hora que o avião abriu as portas eu quase chorei de emoção. Enquanto saíamos o piloto observando eu carregar a vassoura do Matheus disse para ele: Olha, agradeça a sua mãe, porque só mãe paga esse mico de trazer uma vassoura do Harry Potter para o filho. E a minha vontade foi  dizer:

– Mico? Sabe de nada Senhor Comandante! Você não faz idéia do King Kong histórico que paguei durante o seu vôo.”

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Thomás após 5 cocôs bombásticos

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Thaís Vilarinho

Mãe de dois meninos lindos Matheus e Thomás, Fonoaudióloga Clínica. Pratico corrida e Muay Thai. Adoro escrever, viajar, escutar música, ver um bom filme, sair e estar com a família e os amigos. Sou curiosa, adoro conhecer e aprender coisas novas.

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