Bicicletas prontas para voar?

Bicicletas prontas para voar?

“Deus, nos diga o motivo de a juventude ser disperdiçada com os jovens.”

Esse refrão de uma música, somado ao amor que sinto por duas amigas/irmãs despertou algo muito forte em mim que fez com que eu refletisse, gerando um turbilhão de emoções e sensações.”

Hoje tenho muito mais sonhos e desejos do que quando jovem, a gente amadurece tem mais bagagem e sinto que com 35 minha cabeça pipoca com uma infinidade de sonhos! Minha mente não para! Sinto que o tempo de um ano fica bem apertadinho, como sardinha em lata, nos seus 365 dias. Já na adolescência, o tempo de um ano era folgado, dava tempo de fazer tudo e mais um pouco, e os 365 dias passavam como um filme em câmera lenta.

Quando jovens os sonhos eram, a próxima festa, a noite romântica com o namorado, passar de ano… coisas primárias e imediatistas, se é que vocês me entendem? Mas hoje, a… hoje, os sonhos são maiores, robustos e o tempo, a.. o tempo, escorre pelas mãos.

Com 35 me libertei de tanta coisa que segurava e bloqueava meus pensamentos e as minhas vontades que tenho a sensação de estar transpirando sede de viver. Só que a grande questão desse história toda é uma só: Sou MÃE, e isso me demanda praticamente todo o meu tempo tirando quando estou trabalhando, ou fazendo minhas atividades físicas! Claro que eu amo passar todo esse tempo com meus filhos. Mas não vou mentir que ,muitas vezes, a sensação de não ter tempo de realizar várias coisas que, como já falei, pipocam na minha cabeça, aprisiona e estrangula toda essa sede de vida e sensação de liberdade!

Tive filhos relativamente nova para o mundo de hoje (28 anos), fico me perguntando se é por isso que tenho essa sensação. Será que quem espera os 35/40 para entrar no mundo materno também sente-se assim depois de ter filhos? Será que esperar para ser mãe facilitam as coisas? Talvez não, porque é através da experiência materna que passamos a sentir essa sensação de pouco tempo e, ao mesmo tempo, vontade de viver todos os nossos sonhos. Afinal, antes nosso tempo era só nosso, e agora temos que doá-lo quase que por inteiro para os filhos! O que acaba nos sobrando de tempo é quando eles dormem e ficamos naquela dúvida cruel: dormir no mesmo segundo que eles dormem para descansar? ( que na verdade é o que mais precisamos), ou assistir um filme/ler um livro/ficar na internet para viver um pouquinho algo nosso?

Depois da maternidade valorizamos mais a família e queremos passar mais momentos com os nossos pais e avós, por percebermos que o tempo de todo mundo por aqui acaba e que cada segundo tem um valor gigante, não estou aqui dizendo que quem é mãe não sente isso, mas com certeza a maternidade faz com que essa sensação se intensifique muito e muito rápido!

Cada vez que paro para refletir, acho incrível toda essa imensidão de sentimentos chamada maternidade. Ela nos modifica em coisas que nem imaginamos de uma maneira avassaladora. É capaz de entrar em cada compartimento do nosso coração e do nosso cérebro e tocar no fundo da nossa alma. Nós que somos mães, mulheres e seres humanos crescemos em cada momento materno, seja errando ou acertando, sorrindo ou chorando, dando carinho ou bronca. Cada momento é transformador por mais repetitivo e difícil que possa parecer, por isso temos que agradecer a maternidade todo esse turbilhão de emoções, sonhos, vontades, e pensamentos que surgem dentro de nós em função da valorização do tempo e da vida. Que nós mães possamos ter o ânimo da infância, o tempo que tínhamos na juventude e a consciência de hoje.

Mães, mais do que qualquer ser humano na face da terra, tem que aprender a usar o tempo da melhor forma possível, devemos transportar as crianças para dentro dos nossos sonhos, realizando-os com elas na garupa, ou, às vezes sem elas, porque não? Afinal um dia, com toda a certeza, nossos filhos não vão mais querer andar em nossas garupas e precisamos estar preparadas quando esse dia chegar. Vamos lá, os sonhos são realmente feitos para serem vividos! Não tenham medo de cair, mas sim vontade de voar. Sim, bicicletas voam! E o medo? Não temos mais tempo para ter medo, e sim, precisamos dele para viver nossos sonhos.

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Thaís Vilarinho

Mãe de dois meninos lindos Matheus e Thomás, Fonoaudióloga Clínica. Pratico corrida e Muay Thai. Adoro escrever, viajar, escutar música, ver um bom filme, sair e estar com a família e os amigos. Sou curiosa, adoro conhecer e aprender coisas novas.

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2 Comentários

  1. Karina - 6 de novembro de 2014

    Lindo! De emocionar…
    E sabe mais Tha?! Tudo que vivemos hoje é cor de rosa do jeitinho que sonhamos na nossa adolescência…só temos que agradecer a Deus! E como você disse…”viver os nossos sonhos”, pois hoje a gente tem tudo que sonhamos juntas, meninas…

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