Xuxa, um pai fora da caixa

Xuxa, um pai fora da caixa

Já tinha muita admiração pelo Fernando Scherer como nadador! Torci muito vendo suas competições! Hoje com essa entrevista a admiração é gigante!

É um prazer ter uma entrevista como essa para o dia dos pais!

Xuxa,

Muito obrigada! Suas filhas são meninas de sorte por ter um pai tão consciente do seu papel!

Feliz dia dos pais!
MFC: Sabemos que o esporte é muito importante no desenvolvimento das crianças.Como o esporte te ajudou, e tem te ajudado na criação das suas filhas?

 FS: Meus pais sempre incentivaram a prática de esportes, somos três irmãos e todos seguiram em alguma modalidade. Eu na natação, um no tênis e o outro chegou a ser campeão mundial de remo.

Eu acredito que os valores ligados ao esporte são essenciais e muito importantes e eu vejo da mesma forma que meus pais enxergavam isso. O esporte ensina disciplina, o respeito ao próximo – mesmo que ele seja seu adversário –, ensina a lidar com derrotas (a superá-las e aprender com elas, reconhecer a importância delas acontecerem), a lidar com vitórias (para que você saiba o quanto elas custaram, o quanto são boas, mas o quanto você vai ter que ralar para se manter no topo), a ter espírito de equipe, a não deixar para amanhã o que precisa ser feito hoje e mais, fazer com grande dedicação. Ensina a buscar a excelência, a importância de ser simples, de se planejar, manter o foco. E esses valores são transmitidos por experiência.

Eu devo tudo ao esporte, à natação e não sei te dizer o que seria sem ele – mas acho importante ressaltar que devo ao esporte, à família e à educação. Meus pais sempre me incentivaram nas competições, me levavam cedo ao treino enquanto eu não podia ir sozinho (e cedo mesmo, 5 da manhã no inverno em Florianópolis), faziam minha alimentação correta para que eu pudesse render mais , iam em todas as competições que podia, eram meu verdadeiro apoio. Mas também sempre me cobraram para que eu continuasse nos estudos e completasse a faculdade.

Tudo isso reflete na forma que crio minhas filhas. Acho até que exagero um pouco com relação à disciplina e rigidez nos horários com elas, coisas de atleta rsrs  Mas todos os valores e experiências que o esporte me trouxe, o respeitar o diferente, a felicidade de se conquistar um objetivo, de ver seu sonho realizado, seja qual sonho for, eu tento sempre transmitir para elas.

 MFC: Vc é pai de duas meninas lindas e com diferença de idade muito grande. Conta pra gente como foi a sensação de ser pai com idades tão diferentes.

 FS: Ah, eu amo minhas meninas! Mas é muito diferente minha relação com as duas desde o início, principalmente pelo meu momento de vida. Quando a Bela nasceu eu estava treinando fora de Florianópolis totalmente focado para Olimpíada, ela tinha meses e eu tive eu viajar para os Jogos. Sempre estava treinando e viajando para as competições. Fazia o máximo que conseguia, mas a parte da rotina diária eu perdi. Eu era muito novo também e acabou que, como ela mesmo fala, eu fiquei muito mais amigo do que pai.

 Quando a Brenda nasceu eu já não estava mais nessa loucura de vida de atleta. Então acordava de madrugada, trocava fralda, dava mamadeira, colocava para dormir. Sempre revezei com a Sheila, como um time mesmo!  Hoje ela está com dois anos e eu tenho as gravações da Record, palestras, etc., mas me programo para passar as manhãs com ela, por exemplo. E viajamos bastante só eu e ela, desde pequenininha. Muitas vezes a Sheila tem algum trabalho em outra cidade e tem que ficar dois ou três dias fora e aí quando dá, pego a baixinha e vamos para a praia, para casa dos meus pais – e sem babá viu? Ela é bem companheira e nesse ponto ela e a Bela são iguais, super companheiras.

MFC: Escuto falar que você é um paizão super presente e participativo com a pequena Brenda e que faz tudo. Faz tudo mesmo? O que mais gosta de participar na rotina dela?

FS: Faço mesmo, tinha uma época que a Sheila dizia que eu era “pãe”. Levo para escola, dou almoço, brinco, conto história, coloco para dormir sempre que eu posso. Eu adoro acordar com ela. Quantas vezes não cheguei de madrugada de uma gravação ou palestra e fiquei esperando até o horário dela para ela me acordar? São momentos que são únicos e eu sei que passam rápido e não vão voltar.

 MFC: Quando sua filha mais velha, a Isabella, era pequena você, em função da natação, não teve a oportunidade de acompanhar tão de perto o crescimento dela como faz com a Brenda né? Rola algum sentimento de culpa?

FS: Rola sim! Sentia muita culpa porque queria estar com ela, mas tinha que treinar, tinham as viagens, as competições. Estava sempre fora. Era um tal de querer e não poder. Quantas vezes não começava a brincar com a Bela e dormia no chão de tão cansado. Aí ela saia engatinhando para algum lugar. Mas hoje penso que tudo o que posso oferecer a ela foi por conta da natação.

MFC: A Isabella é uma moça linda! Quais são os desafios de lidar com uma adolescente? Pinta um ciuminho?

 FS: A gente sempre foi muito amigo e ela sempre me contou muita coisa. Teve alguns momentos que eu pensava “filha não me conta tanto detalhe que o pai não precisa saber” rsrs. Mas segurava porque acho importante essa confiança dela em mim e sempre achei importante ela saber que podia confiar. E eu poder aproveitar esses momentos para aconselhar, orientar.

Agora os desafios são enormes e fico imaginando como vai ser com a pequena também. Adolescente, adulto, ser humano erra e vai errar, não tem jeito, é da natureza.  Mas acho que se a gente constrói uma base sólida, consegue transmitir os valores corretos, nós vamos dar as ferramentas para os nossos filhos saberem discernir o certo do errado e saber lidar com as consequências dos seus atos com responsabilidade.  Porque os filhos são do mundo e precisam saber estar no mundo – respeitando as regras da boa convivência e saberem que se não respeitar terão que lidar com as consequências, seja tentando consertar alguma derrapada, seja sabendo assumir, chamar a responsabilidade para si e aprender com os próprios erros. Acho que esse é o maior desafio de um pai, fazer com que o filho se torne um adulto de verdade.  Adoraria que a Bela e que a Brenda ficasse sempre debaixo das minhas asas, mas a gente cria para o mundo mesmo. Procuro estar presente, mas sem criar uma dependência psicológica.

MFC: Elas gostam de esportes assim como você? Praticam natação?

 FS: Em 2004 a Bela tinha 7 anos e eu a levei para a beira da piscina na Olimpíada de Atenas. Passei por toda a segurança e apresentei ela para todo mundo e para o mundo mágico dos Jogos. Esse universo é mágico, você ver todo mundo se superando, ganhando medalhas, realizando sonhos, querendo ser o melhor do mundo. Então ali ela me disse que queria ser nadadora. Ela tinha 14 anos e era um fenômeno, ganhava tudo. Então um dia ela me perguntou se teria que treinar muito mais para ganhar uma medalha olímpica. Eu disse que ela não treinava nada perto de um atleta profissional, que ela teria que treinar todos os dias e só descansar no domingo, que teria que ser de manhã e a tarde e ainda teria a parte de musculação, etc., etc. Aí ela desistiu e disse que queria fazer teatro e eu a incentivei a ir por esse caminho. Hoje ela está super bem, já fez filmes, webseries e agora está no Disney Channel, na série College Eleven e também em um quadro na Rede TV. Eu quero que ela seja feliz, no caminho que ela escolher. Agora a Brenda… o pediatra disse que ela poderia entrar na piscina com 6 meses, com 4 eu já tinha colocado, ela é minha esperança de medalha – brincadeira rsrs. Mas falando sério, ela já está na natação, mas se quiser ser nadadora como o pai ou bailarina como a mãe, isso vai ser com ela. A minha exigência é apenas que ela faça algum esporte.

MFC: Para você o que é ser um pai fora da caixa?

FS: É saber que ser pai faz parte do seu todo e que exige dedicação como todas as outras áreas da vida.
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Thaís Vilarinho

Mãe de dois meninos lindos Matheus e Thomás, Fonoaudióloga Clínica. Pratico corrida e Muay Thai. Adoro escrever, viajar, escutar música, ver um bom filme, sair e estar com a família e os amigos. Sou curiosa, adoro conhecer e aprender coisas novas.

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