Sentimento de finitude

Sentimento de finitude

“Eles se aconchegavam no meu colo.

Só conseguiam caminhar segurando com as pequenas mãozinhas, as minhas.

Hoje correm atrás da bola e fazem gol.

Ficam em pé na prancha para pegar onda.

Caminham para longe.

Começam a partir em doses homeopáticas.

Filhos crescem rápido, é fato.

Mas não é sobre isso.

É sobre o cordão invisível

O cordão que não se vê, mas se sente.

O cordão que não sabemos quando vai deixar de existir.

Tem dias que está bem preso, mas em outros mais solto.

Talvez não seja sobre o cordão invisível,

mas sobre o nosso sentimento de finitude.

Chega a embrulhar o estômago.

Dói.

Amarga a boca.

Da medo de andar de avião sem eles e o cordão estourar.

Não, por favor, eu tenho filhos para cuidar e educar!

Chega a fazer mal pensar na possibilidade da não existência.

O medo de partir,

Antes não existia, hoje domina.

Mas será que incomoda por eles precisarem de nós fisicamente ou pelo nosso apego?

Se estão conseguindo partir é porque tem confiança.

Se vão é porque tem algo que os faz ser fortes.

São fortes mesmo sem eu estar presente fisicamente.

Será que é através desse cordão que recebem a coragem?

E as mães que partiram desse mundo deixando seus filhos?

O que as liga a eles?

De onde vem a força desses filhos para seguir e a coragem para enfrentar?

De quem fica? Parte com certeza.

Mas e o cordão, será que não seria a solução?

Só pode ser isso.

Você acha que Deus deixaria as mães, que já estão em outro plano, desconectadas dos filhos?

Nunca!

Quanta tolice a minha achar que o cordão romperia algum dia.

É eterno, infinito e para sempre.”

Texto: @maeforadacaixa

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Thaís Vilarinho

Mãe de dois meninos lindos Matheus e Thomás, Fonoaudióloga Clínica. Pratico corrida e Muay Thai. Adoro escrever, viajar, escutar música, ver um bom filme, sair e estar com a família e os amigos. Sou curiosa, adoro conhecer e aprender coisas novas.

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