Helena, você pode ser um menino se quiser

Helena, você pode ser um menino se quiser

Como já disse no post “Já pensou em escrever uma carta para os seus filhos?” adoro o blog Cartas para Helena. Por isso, compartilho hoje com vocês essa carta incrível que foi a primeira carta da Helena que eu li! Paola, parabéns pelas suas cartas que nos inspiraram e nos fazem pensar!

Escrito no dia 24 de março de 2014, numa madrugada de insônia.

Helena,

Quando você nasceu foi declarada do sexo feminino, mas quando ainda era muito pequena, um cisco na minha barriga, já imaginava “E se a escolha não for a mesma constatada pelos médicos?”. Sim, já discuti isso com seu pai.

Sou uma boba, fico imaginando você já adulta, me contando suas novidades na mesa, me apresentando amigos, levando broncas e tomando um belo café com leite preparado com todo carinho por mim e sempre – s-e-m-p-r-e – te imagino como uma folha em branco. Nenhuma roupa, nenhum corte de cabelo ou qualquer preferência da minha imaginação que possa imitar suas escolhas. São suas, não me meta nelas.

Claro, sempre te darei conselhos, irei te ouvir e vou opinar quando achar necessário, mas quem você é e o que deseja, são questões que apenas diz respeito ao seu ser. Hoje você tem 8 meses, quase 9, brinca com avião, lata de milho, bonecas, tartaruga ninja, forma de silicone de cupcake, mordedores, saquinhos com feijão e arroz, pote cheio de feijão, sim, estou sendo muito criativa na tarefa de te entreter sem gastar dinheiro e o mais importante: aqui não tem brinquedo de menina e menino. Temos diversão.

Lembre-se disso. Vou te vestir de rosa – mais rosa, porque você ganha muitas roupas dessa cor – vermelho, azul, preto, tudo que achar confortável e sim, as vezes coloco presilhas no seu cabelo, mas devo admitir que acho aquilo chato para crianças.

Só quero te deixar claro, querida, você pode ser um menino, uma menina, algo entre um ponto e outro, uma flor, um pedaço de nuvem, um peixe com pés, tudo que você quiser, desde que seja uma pessoa de opinião própria. Prefiro que você reflita sobre tudo e me conte sobre sua decisão, do que seja a garotinha perfeita e de sucesso da mamãe. Melhor, nem seja, isso é muito chato.

Desejo do fundo de minha alma que você pense sobre o mundo, veja desenhos no céu, acredite no potencial criativo humano e fale sobre concepções, do que o que conhecemos como “normal”.

Tenho medo, claro, que você sofra violência por ser mulher ou por qualquer outra escolha futura, mas se quero uma filha corajosa, também devo me cobrar a coragem de te ajudar a enfrentar o mundo. Somos uma equipe, lembre-se disso. O mundo e seus conceitos pré-definidos podem se explodir em purpurina.

Com amor,
Mamãe.

Texto : Paola Rodrigues autora do blog Cartas para helena

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Thaís Vilarinho

Mãe de dois meninos lindos Matheus e Thomás, Fonoaudióloga Clínica. Pratico corrida e Muay Thai. Adoro escrever, viajar, escutar música, ver um bom filme, sair e estar com a família e os amigos. Sou curiosa, adoro conhecer e aprender coisas novas.

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2 Comentários

  1. Marcinha - 27 de agosto de 2014

    Uau!!! Tha, estou pirando aqui com essa carta. Sorrindo de orelha a orelha. Admiro demais essa mae. Não sei se conseguiria ter essa amplitude e liberdade de pensamento e opinião para passar para o Pedro, mas, uau (de novo) achei muito bacana o fato de a pessoa ser mais importante do que “o traje”. Esse sim é um amor incondicional. Amar independente de. Amar o que se é. Respeito. Pelo ser humano e por sua escolha. Pq no final é isso mesmo né? Espírito tb não tem forma, sexo, cor…

    • Thaís Vilarinho
      Thaís Vilarinho - 27 de agosto de 2014

      Marcinha desde que li essa carta leio o Blog da Paola!! Tenho certeza que você vai mar Bjos! Obrigada por participar tanto e ser tão querida comigo! Lov u

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